Tony e Inaldo Medeiros os eternos apaixonados pelo Boi Garantido
Arthur Nascimento
arthurnascimento91@hotmail.com
Em época que mudança de Boi se tornou algo normal entre os artistas de Parintins, dois personagens chamam a atenção pela personalidade e história que têm dentro do Festival Folclórico. Inaldo e Tony Medeiros, dois irmãos, dois artistas, duas “figuraças” com quem tive a oportunidade de conversar.
Inaldo e Tony Medeiros ingressaram em 1986 no Boi-Bumbá Garantido, Boi que mais tarde acabou se tornando uma paixão. Na época, os irmãos Medeiros eram conhecidos como “meninos do Boi” devido à diferença de idade que tinha entre eles e o até então mais novo, Emerson Maia. A diferença de idade de Emerson para eles era mais de 10 anos. Aos poucos Inaldo e Tony conquistaram espaço dentro da agremiação, compondo toadas e preservando um estilo tradicional do ritmo da toada.
Os meninos cresceram, correram o mundo, ficaram famosos, mas não perderam o respeito pela tradição do Boi. “Nós temos um compromisso com a cultura e não com o sucesso” diz Inaldo.
Junto com os irmãos, algo havia crescido mais. O Festival Folclórico rompeu fronteiras, se expande a cada ano que passa. Os Bumbás se tornaram empresas, o Festival virou business, um negócio lucrativo e muito mais político. Tá certo que a profissionalização da festa era algo natural a acontecer. As diretorias buscam uma visibilidade maior, conseqüentemente, buscam os melhores para o seu lado para assim vencerem.
A primeira década deste século é marcada por troca-troca de artistas. São compositores, artistas plásticos, coreógrafos, itens... Todos movidos pela indústria capitalista. Inaldo e Tony, apesar de serem profissionais jamais mudaram de Boi. “Eu passei tanto tempo para construir uma história dentro do Garantido e não posso jogar tudo isso fora, assim tão rápido. Eu vejo esse povo aí que só quer dinheiro, mas tudo isso vai passar, e as minhas músicas vão viver depois de mim”. Disse Inaldo.

A explicação para tanto respeito com a tradição foi explicada em poucas palavras por Tony Medeiros. “Na verdade nós tivemos uma oportunidade que a outra geração não teve, nós bebemos na fonte do Boi, pegamos toda a turma do Porrotó, Ambrósio”. Entretanto, é preciso entender o lado dos artistas que são verdadeiros profissionais. Daquele pai de família que merece ser respeitado, e que precisa trabalhar pra sustentar a família.
Confesso que fico em dúvida em relação a esse assunto. Admiro pessoas como Tony e Inaldo Medeiros que por todo um respeito à sensibilidade da Festa, optam por permanecerem no lugar que se apaixonaram. Esse é o lado romântico do festival. Mas na contramão do lado romântico, vem o lado econômico. Admiro também a organização, a profissionalização de nossa festa. Os artistas devem ser tratados como verdadeiros profissionais.
Após 44 festivais, e o enriquecimento (digo mesmo no sentido econômico) da Festa, não dá para acreditar que um artista faça seu trabalho apenas por amor ao Boi. Até que ponto conseguiremos conservar certas tradições, ao mesmo tempo crescer cada vez mais no lado profissional da festa? O Boi hoje é mais política ou cultura?
Amigos internautas deixem suas opiniões, devemos discutir assuntos de nossa cidade. O e-mail está à disposição. Aguardo vocês
(postado por Hudson Lima (assessoria Garantido)